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sexta-feira, fevereiro 06, 2015

Organização pra quê?

    Todo semestre é sempre igual pra muita gente: no início todos temos a ilusão de que vamos mudar, parar de perder tempo e estudar regularmente. Daí vem a primeira bateria de provas e percebemos que ainda não estudamos nada e estamos completamente atrasados.

    Ocorre que, apesar de ser comum, esse tipo de comportamento é muito nocivo tanto para nossos anos de faculdade como para os posteriores. Organização é fundamental em todos os aspectos da vida.

    Minha intenção aqui não é fazer um conjunto de regras que deve ser seguidas à risca, mas apenas dar algumas orientações gerais para calouros e veteranos que se encontram tão afundados em desordem que acabam por perder muitos prazos, compromissos e que não conseguem tempo o suficiente para estudar sem que tenham que virar noites e noites com um copo de café ao lado.

    Inicialmente é preciso entender que a primeira coisa a ser mudada é a nossa atitude. Isso feito já temos meio caminho andado. Comece por pequenas coisas tipo: sua mesa de estudos ou sua mochila! Isso mesmo, organizar a mochila pode ser um excelente início para a mudança de hábitos na vida universitária. Você sempre tem que procurar suas canetas por toda parte ou as guarda em um estojo e sempre no mesmo lugar? Seus cadernos são facilmente "encontráveis" ou pra chegar a eles é necessário tirar do caminho um bolo de papéis inúteis? Esse tipo de, chamemos assim, limpeza tem seu lugar quando se trata de começar a tomar as rédeas da sua vida de novo. A partir dessas pequenas coisas comece a perceber que as pequenas coisas organizadas organizam as médias e as médias deixam quase tudo super arrumado.

    Agora vai parecer que estou falando como sua mãe quando você era pequeno/a, mas acredite: ela estava certa! É necessário definir horários para suas tarefas! Se você simplesmente diz: "preciso estudar pra prova de Análise de circuitos 2 amanhã" a chance é grande de que seu dia seja preenchido com outras coisas (tão importantes quanto, afinal "engenharia social" também faz parte da vida) mas não realize o que estava planejando. Ao invés disso por que não dizer "preciso estudar pra prova de Análise de circuitos 2 amanhã das 14:50 às 15:50"? Além desse definir horários para as tarefas, tenha uma agenda "global", que envolva todas as suas tarefas rotineiras, como horas de início e término das aulas, tempo de almoço, tempo de fazer exercícios físicos e é claro: hora de estudar todo dia, ou quase todo dia. Aliás a ideia da agenda é exatamente essa: tirar da sua cabeça seus compromissos para se concentrar em uma coisa de cada vez. Adianta estudar pra Eletromag quando está preocupado com a simulação de eletrônica, o trabalho de SPP e o aniversário da sua tia? Definindo um tempo pra cada atividade pode te poupar muito esforço mental. Só não vale esquecer de consultar a agenda!

    Tomar uns 10 minutos antes de dormir para planejar o dia seguinte também não mata ninguém e pode fazer uma diferença enorme quando se trata daqueles pequenos intervalos de tempo que temos livres e que simplesmente não fazemos nada. Para mais dicas de organização, busque nos links abaixo, mas não fique o tempo todo procurando sobre como se organizar sem fazer nada: afinal, isso também é desorganização!

quinta-feira, dezembro 06, 2007

Faz sentido acreditar em elétrons?

Por Gregório Fonseca e Ruslan Viana

Toda a teoria de eletricidade e eletromagnetismo é, grosso modo, baseada na teoria do elétron. Ninguém nunca o viu, mas para que tudo aquilo que se estuda nas 3500 horas do nosso curso seja verdadeiro o elétron precisa existir. O Resistor consultou os engenheiros eletricistas formados na UFMG em 2006, a fim de avaliar a inserção desses profissionais no mercado de trabalho e de descobrir se valeu a pena acreditar em elétrons....

Foram enviados questionários para dezenas de ex-alunos e a primeira feliz conclusão que tivemos é que 89% dos formados estão trabalhando como engenheiros, embora apenas 44% estejam trabalhando na área de formação do seu certificado de estudos. Esses dados nos levam a crer que, independentemente da opção de estudos, somos essencialmente Engenheiros Eletricistas aptos a trabalhar em qualquer setor da Engenharia Elétrica. Outro ponto motivador é que nenhum dos entrevistados está desempregado.

Constatamos que 39% dos engenheiros continuam seus estudos na pós-graduação. Destes, 43% se dedicam exclusivamente aos estudos, e são justamente os que recebem as piores remunerações - conseqüência da ineficiente política pública de incentivo à pesquisa. Apenas 5% dos ex-alunos foram aprovados em concurso público até a data da pesquisa, embora acreditemos que esse número não tenha sido maior devido à pequena oferta de vagas nos setor público nesse curto período de tempo.

O gráfico abaixo mostra a faixa salarial dos ex-alunos entrevistados. Ganhando menos que R$1500,00 por mês estão apenas os engenheiros que continuaram os estudos – tanto para concorrência a concursos públicos quanto na pós-graduação. 44% dos entrevistados ganham mais do que R$3000,00 reais mensais.

Distribuição salarial (em reais)

Exatamente a metade dos alunos se graduaram com mais que 10 períodos, ou seja, devido à nossa extensa carga horária e às dificuldades inerentes ao curso é natural que o estudante leve 11 ou 12 semestres para a conclusão de seus estudos. Na Universidade de Buenos Aires, por exemplo, o curso de Engenharia Elétrica tem duração de 6 anos e carga horária de 240 créditos. O Resistor acredita que para termos um curso de graduação de maior qualidade o seu tempo de duração poderia ser maior. Além disso, percebemos que a faixa salarial dos profissionais é uma variável independente do tempo para concluir a graduação.

Uma boa noticia para quem está cursando Sistemas de Energia Elétrica é o "boom" da energia, ou seja, a expectativa de crescimento de um setor despreparado para a demanda nos próximos anos. A nossa pesquisa apurou que 48% dos graduados optaram pela área. Hoje, além de existir uma grande procura pela certificação por parte dos estudantes, acreditamos que os próximos egressos no curso buscarão o certificado devido à grande exposição do tema na mídia. Sabemos que em cinco anos o quadro do setor energético pode estar alterado, mas é claro que O Resistor torce para uma alteração positiva.

Agarrados na cauda do cometa estão 16% dos engenheiros, os que optaram pelo certificado de Telecomunicações. Depois da expansão desenfreada das operadoras de telefonia celular somada à privatização da telefonia fixa no Brasil a área de telecomunicações entrou praticamente em regime permanente. A procura por profissionais ainda existe embora não seja tão exagerada como há alguns anos. Notamos que os profissionais da área são os mesmos que responderam que o certificado de estudos foi um diferencial na hora de conseguir um emprego.

Em segundo lugar do ranking está o certificado de Eletrônica de Potência, com 21% dos formados. Empatados, estão os certificados de Controle de processos, Computação e Fontes Alternativas de Energia, com 5% cada um. O Resistor não conseguiu contatar engenheiros formados nos outros certificados abertos.

Aqueles que acreditaram nos elétrons durante todo o curso de Engenharia Elétrica e em suas vidas profissionais se deram bem. O mercado de trabalho é muito receptivo para o profissional formado na UFMG, e observar as trajetórias de sucesso de nossos ex-colegas aviva o nosso desejo de continuar os estudos.